quinta-feira, 16 de julho de 2009

Uma nova era da comunicação

Tenho vivido a experiência incrível e mágica de ser questionado por leitores sobre a falta de atualizações do Blog. Ontem mesmo o Michel Imme cutucou: ", entro lá todo dia mas tu só atualiza uma vez por semana. Assim não dá".
O primeiro sentimento é de tristeza, pois reconheço que tenho molhado pouco esta planta; o segundo é de alegria, já que a cobrança significa que existe o desejo de leitura!
Pois bem, caríssimos e estimados leitores, eu agora os informo: vou retribui-los em grande estilo, da forma que vocês merecem, nesta segunda-feira, quando, enfim, lançaremos o novo portal Análise em Foco.
Uma revolução, posso lhes assegurar. Um novo formato de jornalismo e comunicação, repleto de conteúdos variados. Cultura, entretenimento, serviços, negócios e, claro, muita opinião e análise. Tudo num lugar só.
A um time de colunistas de primeira linha, vão se juntar fontes, autoridade e personalidades, que, através de artigos - escritos com base em questões determinadas pelo portal - irão analisar, interpretar e explicar fatos importantes para o leitor.
Agendem, então: segunda-feira, dia 20, às 15h10min, darei entrevista na rádio Nereu Ramos - 740 AM - lançando o portal http://www.analiseemfoco.com.br/. Espero ser honrado com a audiência de vocês, até lá!!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

As pontes do Belchior


No Belchior, em Gaspar, há duas importantes obras da reconstrução em andamento. Duas pontes, lado a lado, distantes cerca de 500 metros uma da outra. Elas ligam pequenos povoados à via principal da localidade.
Ali trabalham operários de outras regiões, recrutados pela empreiteira responsável pelas obras. Há cariocas e paranaenses, que trabalham até mesmo no sábado à tarde para antecipar a conclusão das pontes. Tudo muito bacana.
Só o preço das ditas cujas é que assusta: R$ 397 mil uma e R$ 396 mil a outra. São estruturas muito simples, compostas por quatro pilares robustos e, pelo jeito, vigas que ficarão apoiadas sobre elas para dar sustentação à passagem de veículos leves. Cerca de 10 metros de extensão, talvez menos.
Bom, não sou engenheiro para avaliar, mas quando penso na casa que poderia construir com R$ 400 mil fico um tanto inquietado. Será que uma estrutura tão simples como a daquelas pontes requer tecnologia e materiais tão caros assim? Quem entende do assunto deveria dar uma olhada lá, posso até indicar o caminho.

sábado, 4 de julho de 2009

Em cima do rabo dos outros

Na blogosfera tem quem venha questionando a permanência do senador José Sarney como articulista da Folha de São Paulo. Um sujeito chegou a escrever:

Não vejo a hora de ler a coluna do Fernandinho Beira-Mar ... ou do chefão do PCC. Isso sim é pluralidade. E ficamos no mesmo nível de bandidagem. Há tempos jornal de papel serve apenas pra embrulhar peixe. Tenho informação mais rápida e com opinião de verdade na internet, não só aquele bla bla bla politicamente correto dos jornais.

É, tá ficanto meio chato mesmo pra Folha. Realmente fica feio, por mais talentoso que ele seja com as palavras, manter alguém envolvido em tantas denúncias num espaço opinativo tão nobre. É uma coisa incrível, mas ninguém mexe com o Sarney. Ninguém ousa tira-lo de onde está, por mais enrolado que esteja. Deve ter muita gente com o rabo preso nessa história toda!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Herói da resistência


Tem gente corajosa e ousada neste mundo. São pessoas que merecem respeito e admiração, por desafiarem "leis" informais impostas por grupos poderosos. O dono do posto mostrado na foto é um destes sujeitos. Localizado na região Norte de Blumenau, passou o dia, nesta sexta-feira, vendendo álcool a R$ 1,69.
Numa cidade em que todos os postos cobram exatamente o mesmo preço pelo litro da gasolina e do álcool - R$ 2,59 e R$ 1,79, respectivamente - não é fácil quebrar o protocolo. Ninguém assume isso abertamente, mas em off empresários do setor admitem que há pressão para que se evite guerra de preços. Quem descumpre o trato, precisa ouvir clamores para que se enquadre.
Bem diferente do que acontece em Itajaí, por exemplo, onde o preço dos combustíveis chega a ter diferença de 20 centavos entre um estabelecimento e outro.
Por isso, sugiro uma ode ao corajoso proprietário do posto blumenauense. Que tenha sucesso em seu negócio, principalmente por respeitar as leis de mercado e o consumidor. Parabéns!!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Sarney e o Senado

Essa história do Sarney é brincadeira: tem um monte de evidência contra o cara, mas quem tem que pedir para sair é ele. Fala sério, é a mesma coisa que perguntar para um bandido que tenha cometido um delito se ele quer ou não ir para a cadeia.
Se houvesse ética no Senado, o caudilho do Maranhão, eleito pelo Amapá, já teria sido afastado por decisão dos colegas, não dele próprio. Alguém envolvido em tantas suspeitas não pode permanecer em um cargo tão importante para a honra e a dignidade do país. Se for inocente, que prove, para então voltar ao cargo. Se querem ganhar o respeito da população, precisam fazer isso.
Senão vai ser igual ao episódio do Marçal em Blumenau. O vereador desafiou a lei mas ganhou apenas um puxão de orelha. Depois dizem que os jornalistas perseguem os políticos. Com estas atitudes, fica difícil não perseguir.

domingo, 28 de junho de 2009

O adeus a Jackson

A morte de um ídolo toca as pessoas não tanto pela perda da figura idolatrada, mas pelos momentos de vida a ela associados, que acabam partindo junto com o astro. Quando aprendemos a admirar um cantor, por exemplo, geralmente o fazemos ouvindo sua música em momentos que nos são aprazíveis. Aí relacionamos um ao outro, e assim guardamos passagens mágicas da nossa existência.
Foi assim que virei fã de Michael Jackson. Tinha sete anos de idade quando meus pais, não sei se comprando ou ganhando, trouxeram Thriller para casa. Era 1982. Eu o ouvia em uma caixa de abelha antiguissima, um toca discos dos anos 70 que compráramos em Lages antes de virmos para Blumenau.
Passava os dias ouvindo Jackson, olhando a capa do disco, o encarte, fitando o semblante do astro e sonhando ser igual ele. Thriller tem três grandes clássicos: a música que dá título ao disco, Billie Jean e Beat It, que virou símbolo de uma nova atitude transgressora. Mas tem também pérolas como Human Nature e The Girl Is Mine, num dueto com Paul McCartney. É um vinil sensacional!
Meus sonhos eram embalados por aquela música. Num tempo em que acreditamos que o mundo será do jeito que quisermos. E eu queria que fosse aquelas coisas que eu imaginava ouvindo Jackson. Queria ser capaz de brilhar através da arte, ser conhecido por algum talento incomum; na verdade queria ser uma estrela também.
Aí crescemos e descobrimos que a maioria dos nossos sonhos não vai tornar-se realidade. Mas enquanto o ídolo vive, parece que sempre há alguma chance, por mais que saibamos que não haja. Quando ele morre, porém, a ficha cai de vez. Chega então a prova de que o tempo passou, e aquela música também. Os sonhos ficaram na memória, assim com os momentos nos quais eles nasceram.
Senti de verdade a morte de Jackson. Fiquei de fato triste, até me emocionei. Parece que perdi alguém próximo, incrível isto.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Surraram a democracia

A democracia sofreu duro golpe com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que cassou a exigência de diploma para o ofício do Jornalismo. A Justiça, mais uma vez alinhada ao poder, optou por satisfazê-lo, em vez de satisfazer a maioria da população. A quem interessa que o mercado da comunicação tenha profissionais menos qualificados e pior remunerados? Somente a quem prefere ver o povo tutelado e privado de qualquer inflexão mais crítica. E neste balaio, infelizmente, também estão os grandes conglomerados de comunicação. Os patrões, como era de se esperar, aplaudiram a decisão. Comemoraram, foram tomar champagne com caviar, no café da manhã, em Paris.
Afinal, esse é o papel da imprensa: trazer à tona assuntos que, muitas vezes, ferem interesses corporativos para dar ao futuro do país uma perspectiva melhor. E é isso que querem evitar com a decisão da última quarta-feira. Querem jornalistas burros, pouco qualificados, que possam ser facilmente manipulados. Querem somente amebas à frente do conteúdo informativo entregue ao povo. Assim, poderão perpetuar o poder, mantendo-nos tutelados, sob as rédea dos barões da política nacional.
A decisão, na verdade, foi um "cala boba". A Justiça detesta a imprensa. Tem medo dela, teme a perda de regalias e privilégios, assim como o abalo de suas relações promiscuas com o poder. Por isso cassaram nosso diploma. Por isso nos humilharam, passaram por cima de nossa dignidade. Mais uma vez, foi a postura de uma Justiça que condena ladrões de galinha para proteger quem tem colarinho branco.
A alegação de nossos digníssimos magistrado não poderia ser mais esdrúxula: liberdade de expressão. Ora, senhores, jornalistas não se expressam, são apenas um canal entre as fontes e o público. Quem se expressa é quem dá entrevista para o jornalista. É a opinião da fonte que vai ao ar, nossa missão é simplesmente dar voz a quem quer se expressar. Por isso, dizer que permitir a qualquer cidadão exercer o ofício é garantir a liberdade de expressão, é mera balela.
Outro erro: a partir de agora, então, ofícios ligados às ciências humanas, como filosofia, história, sociologia ou letras, por exemplo, também não precisam mais de diploma. Afinal, se não há necessidade de conhecimento específico no jornalismo, como alegaram, também não há nestas faculdades. E até o cargo de juiz quem sabe agora possa ser ocupado por um engenheiro ou arquiteto, que tal? Não vejo na formação de um advogado nada assim tão diferente daquela utilizada no preparo de um jornalista. Eles decoram leis, nós teorias, princípios éticos, mecanismos de escrita.
Surraram a democracia no Brasil, mais uma vez. E justamente quem deveria garanti-la, incentivá-la, protegê-la. Triste, muito triste, o Brasil saiu perdendo.